Diálogos de Samuel Rawet: contos da incomunicabilidade

Fernanda dos Santos Silveira Moreira

Mestre em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

 

Samuel Rawet iniciou sua carreira literária em 1956, com a publicação de Contos do imigrante, sendo ele mesmo um imigrante judeu nascido em uma aldeia polonesa no ano de 1929. Mudou-se para o Brasil em 1936 junto com a família, que fugia das ações nazistas no Leste Europeu. Assim como muitos judeus que imigraram para o Brasil nas primeiras décadas do século XX, foi morar no subúrbio carioca da Leopoldina – região em que viveu boa parte da infância e da adolescência.

Sua integração com a sociedade brasileira, bem como sua aquisição da língua portuguesa, se deu de forma brusca, como o próprio autor explicita: “Aprendi o português na rua, apanhando e falando errado – acho até que é o melhor método pedagógico em todos os sentidos. Aprendi tudo na rua” (Rawet: 2004, 10).

O subúrbio é, de fato, o espaço onde se passam muitas de suas narrativas, ambientadas em lugares obscuros e obscenos. A partir da leitura de seus contos e novelas, o leitor é levado a percorrer caminhos evitados e a pensar sobre aquilo que não é aparente ou que rejeitamos conscientemente, sob a perspectiva daquele que é marginalizado. No entanto, também adentra as casas, para ver as famílias em situações cotidianas, desvelando conflitos quase intransponíveis entre os homens e aqueles que lhes são próximos, mas também entre o homem e outro que habita em si.

Rawet escreveu: “Um homem é sempre estranho diante de outro” (Rawet: 2004, 98). Este trecho de Diálogo (1963) expressa um dos traços mais marcantes das personagens: a incomunicabilidade, o estranhamento entre os seres. A obra rawetiana é perpassada pela relação entre o “eu” e o “outro”, e o desejo angustiado de se comunicar, de interligar-se, de tocar ou ser tocado, ainda que não possa ou consiga. Muitos de seus principais personagens são seres sozinhos que vagueiam pelo mundo sem buscarem, necessariamente, um ajustamento a um grupo. São indivíduos à margem, sempre inquietos e angustiados. A solidão é uma das fortes características de sua obra.

Mas são outros os contextos nos quais se passam os contos que compõem o livro publicado em 1963. As personagens são apresentadas como parte de um grupo, ainda que seja apenas um casal. Estão sempre em circunstâncias que possibilitariam algum tipo de aproximação, de diálogo. Mas são todas situações de angústia e de desespero pulsante. Angústia essa que cada personagem sente diante dos outros. Angústia essa que o leitor é convidado a partilhar, ao deparar-se com uma escrita que, nas palavras de Rosana Kohl Bines, nos assedia “até o ponto de rendição” (2012, 128). Em seu artigo “Na frequência de Rawet”, Bines afirma: “Trata-se de um gesto audacioso: ferir o leitor para torná-lo cúmplice da mesma indisposição com a vida, aprisionando-o nos movimentos de uma consciência implacável” (2012, 128).

Diálogo reúne dez contos com enredos distintos, mas com um ponto comum: o desejo sufocante, ainda que inconsciente, de dialogar com o outro, que se choca com a incapacidade de comunicar ou compartilhar pensamentos e sentimentos, mesmo que sejam os mais simples. As relações são então marcadas pelo atrito que fere, gera faíscas e mágoas, aprofundando ainda mais a angústia e o desajuste.

Diferentemente de sua obra de estreia, Contos do imigrante, em que a figura do judeu imigrante é recorrente e as referências à sua tradição familiar judaica são constantes, em Diálogo apenas um dos contos, “Natal sem Cristo”, tem um personagem judeu, que passa a noite de Natal com uma família cristã. Nos demais contos, transita-se por diferentes espaços, com personagens diversos, em lutas físicas ou simbólicas, silenciosas ou violentas. Personagens estáticas e outras em trânsito, percorrendo diversos cenários cariocas.

A maior parte dos contos de Diálogo se passa ao redor de uma mesa, no espaço interior da casa, com famílias reunidas em comemorações ou nas refeições do dia a dia. Suas personagens estão todas transbordando sensações conflitantes e recorrem à palavra, a algum gesto ou quase gesto, a fim de exteriorizar o que já não cabe em si. São conflitos entre gerações, na relação entre filho e pai, entre supostos amigos, entre desconhecidos, entre homem e mulher. Mas também entre sonho e realidade – e o mais desafiador de todos: o conflito individual, o sentir-se desconfortável em ser aquilo que se é em sua própria pele.

Neste texto, propõe-se analisar dois contos do livro que possuem uma característica comum: o relacionamento fraturado entre casais. O primeiro intitula-se “A fuga” e se inicia com uma sequência de interrogações desesperançosas de um homem de cerca de sessenta anos, que está sentado em uma rodoviária aguardando a partida de seu ônibus. Tomara a decisão de partir em uma atitude drástica sem precedentes em sua vida, acreditando que, longe de casa e da família, completamente sozinho, poderia encontrar algum tipo de salvação. Mas, poucos minutos antes do embarque, repensa. Ao olhar em volta e ter o primeiro contato com um mundo estranho ao seu, ao perceber várias pessoas que se aglutinam em grupos, vacila. E, numa espécie de constatação advinda do momento anterior à fuga, compreende que

há duas solidões, a solidão do monólogo e a do diálogo. A primeira ele a começava a sentir na proximidade com os de fora, e eram sempre de fora os que não pertenciam a seu núcleo. Esse estado lhe foi sempre penoso, trazia uma hostilidade na reserva que mantinha e provocara. Um homem é sempre um estranho diante de outro, sabia-o bem, mesmo ligado pela carne, pelo sangue, pelo instante de gozo entre duas frações de ódio. A segunda era a sua solidão de sempre. A que comprime, modela e torna estanques dois seres que se conhecem nos mínimos anseios, poro por poro, hausto por hausto, até que se cristaliza entre os dois esse fluxo de recriminações recíproco, e produto final, a pedra do silêncio. [...] Dois seres agrilhoados ao mastro giram e se perseguem sobre a mesma circunferência, sem nunca se alcançarem (Rawet: 2004, 98).

O homem em fuga decidiu partir depois de girar e girar em torno de um mesmo eixo com a mulher, por um tempo que ele já nem conseguia mensurar. Os dois estavam envelhecidos, um casal sozinho, uma vez que os quatro filhos seguiram cada um para um ponto cardeal, distanciando-se da casa paterna, mas “levando com eles a semente apodrecida de estufa, machucada pelas tentativas de afago desastrosas, corrompida pela cegueira obstinada até o último instante” (Rawet: 2004, 101). Nem com sua mulher o homem tem qualquer contato de afeto, e mesmo

quando se dava o açoite dos galhos, o choque das rochas, as bocas se uniam com rancor e o ódio se completava, se complementava, num todo eriçado, estático, absoluto. E da repulsão de dois corpos após o segundo de totalidade, surgia ou um Caim ou um Abel, ambos infelizes, ambos marcados, ambos sós e sempre sós, ambos mortos por aceitar ou não aceitar uma Ordem, ambos vítimas da virtude ou do vício, ambos inocentes (Rawet: 2004, 99).

Homem e mulher estão completamente alheios um ao outro, embora cada um saiba “da presença do outro” (2004, 98). O fato de estarem próximos sob um mesmo teto ou sob muitas convenções já não lhes assegura a presença. A totalidade entre eles se dá fisicamente, mas sem palavras. Foi no silêncio inquietante, sem a sensação de pertencimento entre eles, que o homem, como num clarão, decidiu fazer as malas e partir. Mas a constatação a que chegou e o fez deixar a casa não seria capaz de remover

os insultos, as palavras ditas, ou não ditas, os gestos, os golpes, os anos, sim, os anos, o poço envenenado em que se dessedentara e cuja água servira aos outros, [...] o fruto dessorado que servia aos bagaços na mesa unida pelo rancor e pela contrafação de mesa (Rawet: 2004, 101).

Tampouco seria capaz de trazer os filhos afastados ao centro que ele mesmo julgara ser. Fugir da dor não lhe deixaria isento da consciência da dor. Não havia solidão que viesse a ser maior que aquela na qual ele já se movia. Não havia sentido nem salvação na fuga. Estava ciente de que ambos estariam sós, sempre sós, mesmo estando um ao lado do outro.

Volta para casa, onde encontra a mulher como a tinha deixado, imóvel. Retorna à mesma circunferência na qual antes girava. Fica novamente frente a frente com a mulher, que nada lhe diz. Então profere: “– Toma, devora-me o fígado, pois cometi um crime, não roubei a luz, aceitei-a quando me ofereceram” (Rawet: 2004, 102). A luz que lhe foi oferecida, não se sabe por quem ou pelo quê, colocou-o em movimento, mas não foi capaz de mantê-lo.

O segundo conto é “Uma velha história de maçãs”. Mais uma vez há duas personagens: um casal dentro de casa na hora do almoço. A mulher serve a refeição ao marido e se vai para comer sozinha na cozinha, utilizando-se do mínimo possível de palavras. Quando o homem começa a tomar a sopa, percebe que os olhos da esposa estão fixos no movimento da colher em sua mão, ao revirar a comida rançosa no prato. Logo deixa-o sozinho novamente e ele só percebe sua presença na casa pelos ruídos que lhe chegam do movimento dela na cozinha. Então ele

volta à sopa. Consegue reprimir o leve desgosto que se ia esboçando pelo incidente de há pouco. Em outros tempos, talvez, seria suficiente para arruinar-lhe o resto do almoço, do dia, da noite. Tempos em que um pequeno deslize na fala ou no gesto poderia trair um desequilíbrio ou uma inadequação. Tempos em que tudo era futuro. Tempos em que lhe diziam: Você precisa aceitar a realidade. Como se a realidade fosse somente esta coisa bruta. [...] A realidade é essa coisa sórdida e bruta. E seu presente é todo feito de passados. Portanto, que manchas foram essas que um dia se plantaram em sua cabeça, contrafação de imperativos? Arrasta-te, verme, anda de quatro, que és bem grotesco equilibrado apenas em duas patas (Rawet: 2004, 120-21).

O conto continua com a constatação da personagem de uma realidade brutal, cinza e aprisionada pelos prédios da cidade, sem perspectiva de futuro, restando-lhe apenas a rememoração de tempos passados, quando ele e a mulher ainda se sentiam próximos, quando ele tentava avisá-la de sua natureza trágica, da percepção sentida de que, sozinho, ele ainda poderia sonhar com algum tipo de ilusão. Para ela, repetia: “Foge, porque você não sabe o que é querer respirar e descobrir um dia que não pode, porque não lhe ensinaram, foge, porque você não sabe que até aqui eu sou clandestino, nunca me deram passaporte para ver o mar” (Rawet: 2004, 121).

Os pensamentos do homem são interrompidos por uma forte tontura, um tremor nas mãos, o endurecimento da nuca, o alimento voltando à boca, o coração golpeando o peito. Viu a morte através dos olhos da mulher a lhe encarar em silêncio. Ele não conseguiu pronunciar qualquer palavra, mesmo depois de constatar o que lhe acontecia. Esperava uma palavra dela, apenas uma palavra, “e adiaria esse minuto para um outro definitivo” (2004, 122), mas

as duas cabeças imóveis não conhecem o diálogo. Outrora, quando trocaram frases, eram sempre respostas ou perguntas, ao mesmo tempo. Agora, enquanto ele aguarda um som, uma articulação, um grunhido, recorda-se já meio confuso de uma velha história de maçãs. Mas a palavra não veio. Poucos instantes depois o corpo tombou sobre a mesa, e a cabeça espatifou o prato (Rawet: 2004, 122).

Ambos os contos narram momentos da relação entre seres que já não conseguem se aproximar de nenhuma forma, embora estejam debaixo do mesmo teto. A incomunicabilidade que existe nos dois contos os aproxima, diferenciando-os das impossibilidades de diálogos das demais narrativas do livro. Mesmo estando presentes em um mesmo espaço, podendo estar frente a frente, face a face, não há mais a “presença”, como proposto por Martin Buber em Eu e tu (1923). Aqueles que, provavelmente, se uniram um dia por uma centelha de afeto e reciprocidade estão agora intocáveis pela palavra ou pelo gesto do outro.

Enquanto em Contos do imigrante a incomunicabilidade surge a partir de questões como a alteridade do estrangeiro, a barreira da língua, o trauma pelas indizíveis marcas da tortura e da perseguição do Holocausto, a marginalidade ou o luto, em Diálogo são seres próximos, ligados pelo sangue, por relações de amizade ou de amor que não conseguem se desvelar, se aproximar uns dos outros. São seres justapostos – não sem atrito –, cuja realidade confronta sempre o sonho, a utopia. Despertar é sempre um suplício. Seres desgraçados, condenados a estarem juntos.

Diferentemente de outros personagens de Rawet – solitários caminhantes do mundo, como Ahasverus e Abama, acostumados à solidão e à angústia sempre latentes –, as personagens sem nome de Diálogo estão, em sua maioria, inseridas em contextos sociais, de convívio contínuo. O outro é sempre como uma porta, mas intransponível.

A incomunicabilidade que caracteriza os contos de Diálogo pode ser analisada a partir dos pressupostos desenvolvidos por um dos filósofos judeus por quem Rawet nutriu grande admiração: Martin Buber. É com a obra de Buber – autor do já referido Eu e tu, além de Eclipse de Deus (1952) e Do diálogo e do dialógico (1962), entre outros – que se pode traçar reflexões significativas acerca da obra de Rawet, seja em seus contos, como os aqui analisados, seja em seus ensaios, como Eu-Tu-Ele, publicado em 1972.

Atuando como engenheiro, Rawet viveu em Israel durante um ano. Nesse período, nutriu com singular determinação o desejo de entrevistar Martin Buber, que fora uma de suas influências judaicas mais significativas: “Creio que foi através de Buber que aprendi os primeiros elementos positivos de judaísmo. A experiência concreta só me havia mostrado os elementos negativos” (Rawet: 1978, 7).

Para Buber, a palavra princípio “Eu-Tu” fundamenta o mundo da relação que só se configura através da presença essencial dos seres, em totalidade, em que o “eu” que se pronuncia sempre tem um “tu” com o qual se relaciona. Buber foi influenciado pelos conceitos do hassidismo, corrente judaica mística que pressupõe três características essenciais para a vida: o amor, a alegria e a humildade, sendo que esta última, como pontua Newton Aquiles von Zuben na introdução da tradução original, de 1978, só pode atingir sua perfeição na vida em comunidade, na inter-relação entre os homens. “A relação é a reciprocidade”, pontua Buber (1979, 35). Ainda de acordo com Buber, mesmo a relação com o divino só seria possível por meio de uma relação real entre os homens.

Segundo Leo Agapejev de Andrade, em seu artigo “O desencontro literarizado: Samuel Rawet e o hassidismo de Martin Buber”, tanto em Rawet quanto em Buber há uma necessidade de diálogo, de relação. Entretanto, “enquanto em Buber tal necessidade tem contornos otimistas e viáveis, em Rawet a mesma tem traços de utopia desejável e de impossibilidade humana” (Andrade: 2009, 18). As personagens de Rawet parecem ávidas pela realização da relação através da palavra. Como aponta Zuben, no Eu-Tu buberiano o que se afirma é que “a relação, o diálogo, será o testemunho originário e o testemunho final da existência humana” (1979, 31). Em Rawet, essa avidez se faz desespero.

No conto “Uma breve história de maçãs”, o personagem espera uma palavra qualquer proferida pela mulher, para que ele possa adiar o momento da morte. Alguma palavra conciliatória ou salvadora. Em “A fuga”, a impossibilidade de um diálogo instaura uma solidão tão grande entre os dois seres que o idoso não vê outra alternativa senão partir, mas ele também se sente impossibilitado de aproximar-se de outros, de relacionar-se com um outro “tu”, por isso retorna à mesma realidade triturada e devastada.

Em Do diálogo e do dialógico, Buber postula três maneiras através das quais é possível perceber o outro: como observador, como contemplador e na tomada de conhecimento íntimo. Enquanto o observador e o contemplador “têm em comum o fato de os dois terem a mesma posição, justamente o desejo de perceber o homem que vive diante de seus olhos” (Buber: 2014, 42), estando o outro separado, totalmente estanque, a tomada de conhecimento íntimo acontece quando se está aberto pessoalmente e se permite que o outro te diga algo, te toque. Tem-se de fato algo a ver com o outro, mesmo que aquele que diz não se dê conta do que é dito através dele. A tomada de conhecimento íntimo toca sobremaneira o ser, tornando impossível não haver reciprocidade, ainda que devolvida a um outro interlocutor. É “uma palavra que exige uma resposta” (2014, 43).

Nos contos de Rawet, as personagens parecem estar a todo tempo em busca da palavra recíproca, do dizer que introduz alguma coisa que lhes auxilie no reconhecimento de si mesmos, em seus desvelamentos, e na construção de suas totalidades, ao mesmo tempo que se debatem com a impossibilidade de concretização em sua realidade imediata. Mesmo frente a frente, não há o “tu” efetivo a quem se pronuncia e com o qual dialogar, o que, na escrita de Rawet, toma proporções dilacerantes. Continuam como observadores, contempladores do outro.

O diálogo, tal como proposto por Buber, a relação Eu-Tu que só se dá em presença, no presente atual, e, portanto, se diferencia do Eu-Isso e suas objetividades do passado, é talvez uma das utopias que Rawet afirma terem se chocado com a realidade concreta. Em suas palavras, no livro O terreno de uma polegada quadrada, de 1969: “O que há de belo no homem é a capacidade de sonhar um ideal. De trágico, a de confrontá-lo com o real. – Quando realmente sonha e confronta!” (2004, 218).

Assim, é na realidade da incomunicabilidade nas relações, principalmente naquelas que poderiam ser as mais próximas, e no sentimento latente da impossibilidade de aproximações que os contos aqui analisados tocam e se inscrevem.


Referências

ANDRADE, Leo Agapejev. “O desencontro literalizado: Samuel Rawet e o hassidismo de Martin Buber”. Criação & Crítica, n° 2, 2009. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/criacaoecritica/article/view/46758/50523. Acesso em 16 de agosto de 2016.

BINES, Rosane Kohl. “Na frequência de Samuel Rawet”. Revista Brasileira, fase VIII, ano I, v. 71, abril/junho de 2012. Disponível em: http://www.letras.pucrio.br/media/filemanager/professores/rosana_kohl/Na%20frequencia%20de%20Samuel%20Rawet.pdf. Acesso em 15 de julho de 2016.

BUBER, Martin. Eu e tu. Tradução, introdução e notas de Newton Aquiles von Zuben. São Paulo: Cortez e Moraes, 1979.

______. Do diálogo e do dialógico. Tradução de Marta Ekstein de Souza Queiroz e Regina Weinnberg. São Paulo: Perspectiva, 2014.

RAWET, Samuel. Angústia e conhecimento: ética e valor. São Paulo: Vertente, 1978.

______. Contos e novelas reunidos. Organização de André Seffrin. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004.

ZUBEN, Newton Aquiles von. “Introdução”. In: BUBER, Martin. Eu e tu. Tradução, introdução e notas de Newton Aquiles von Zuben. São Paulo: Cortez e Moraes, 1979.


Resumo

O presente trabalho tem como objetivo apresentar uma análise dos contos “A fuga” e “Uma velha história de maçãs”, que integram Diálogo, de Samuel Rawet. Publicada em 1963, essa coletânea reúne narrativas curtas com uma característica comum: o desespero ante a impossibilidade de comunicação entre os seres, mesmo entre aqueles que deveriam ser/estar mais próximos. Os contos são analisados a partir de conceitos formulados por Martin Buber em Eu e tu e Do diálogo e do dialógico, como as diferentes formas de relação estabelecidas entre os humanos e a necessidade do diálogo. Busca-se compreender de que modo se configuram, na escrita de Rawet, as contraposições entre expectativa e realidade nos relacionamentos, assim como a incomunicabilidade – que caracteriza tão fortemente o conjunto da obra do escritor.

Palavras-chave: Samuel Rawet; contos; incomunicabilidade.

 

Abstract

The present paper has as objective to approach the short stories “A fuga” e “Uma velha história de maçãs”, from Diálogo, by Samuel Rawet. Published in 1963, this book gathers a set of short stories with a common characteristic: the despair in face of the impossibility of communication between beings, even among those who should be closer. The analysis is based on Martin Buber’s concepts developed in Eu e tu and Do diálogo e do dialógico, as the different types of established relationships between humans and the need for dialogue. We try to understand how the contrasts between expectations and reality in relationships are configured in Rawet’s writing, as well as the incommunicability – that so strongly characterizes the writer’s work.

Keywords: Samuel Rawet; short stories; incommunicability.

Compartilhar

Submit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn